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  • Dólar cai a R$ 5,17, menor patamar desde maio de 2024


    O dólar acentuou bastante o ritmo de queda no mercado local ao longo da tarde, acompanhando a desvalorização global da moeda americana, e voltou a fechar no menor nível desde maio de 2024. O gatilho foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos pela ilegalidade das chamadas tarifas recíprocas anunciadas por Donald Trump em 2 de abril do ano passado, o chamado "Liberation Day".

    Embora ainda seja prematuro avaliar os impactos concretos do fim do tarifaço para a economia e o comércio globais, os ativos de risco ganharam terreno. Houve alta das bolsas em Nova York e forte apetite por divisas emergentes. A reação de Trump, com anúncio de tarifa global de 10% de acordo com legislação comercial americana, não assustou os investidores, que veem uma diminuição do poder discricionário do presidente dos EUA.

    Com mínima de R$ 5,1736, o dólar à vista terminou a sessão em baixa de 0,98%, a R$ 5,1759 - pela primeira vez abaixo de R$ 5,20 após quatro pregões e novamente no menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024 (5,1540). A moeda americana encerra a semana, mais curta pelo Carnaval, com perdas de 1,03%, o que leva a desvalorização em fevereiro a 1,37%. No ano, o recuo é de 5,70%.

    O economista sênior do Inter André Valério observa que o Brasil é, ao lado da China e do Canadá, um dos países mais beneficiados pela decisão da Suprema Corte americana, uma vez que boa parte das exportações brasileiras aos EUA ainda estava sujeita a tarifas de 50%.

    "O impacto nos mercados não deve ser muito pronunciado, pois já havia ampla expectativa de que a Suprema Corte tomasse essa decisão", afirma Valério. "Na margem, trata-se de um fator positivo, que adiciona combustível ao movimento global de reposicionamento de portfólios de investidores estrangeiros, o que tem beneficiado o real."

    A moeda brasileira apresentou um dos melhores desempenhos entre as principais divisas emergentes e de países exportadores de commodities, com ganho em linha com o peso mexicano e apenas um pouco abaixo do exibido pelo rand sul-africano. O real termina a semana com a melhor performance entre seus pares, atrás apenas do peso argentino, de menor relevância.

    Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o DXY recuou e voltou a ser negociado abaixo de 98,000 pontos, com mínima aos 97,589 pontos. O Dollar Index termina a semana, contudo, com alta de cerca de 1%, impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas e pelo tom mais conservador da ata do Federal Reserve, que sugere menos espaço para corte de juros.

    Para o head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, o dólar poderia ter recuado ainda mais globalmente não fosse certa apreensão com a possibilidade de um ataque iminente dos Estados Unidos ao Irã diante do impasse em torno do programa nuclear iraniano.

    "Vimos o DXY reduzir a queda após o otimismo inicial com a decisão da Suprema Corte. Não fosse isso, poderíamos ter visto o dólar na casa de R$ 5,16 hoje", afirma Viotto, para quem a margem de manobra de Trump fica mais estreita daqui para a frente. "Ele pode usar a legislação comercial americana para impor tarifas, mas não vai ter mais poder para uma ação mais ampla contra a China, por exemplo. As regras do jogo ficam um pouco mais claras agora".

    Na agenda de indicadores, a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 1,4%, abaixo do esperado por analistas (1,4%) e bem inferior à expansão ao observado no terceiro trimestre (4,4%). Do lado da inflação, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) - medida preferida pelo Fed - avançou 0,4% em dezembro, acima das expectativas (0,3%). Já a taxa anual subiu 2,9%, um pouco aquém do estimado (2,8%).

    Ferramenta de monitoramento do CME Group mostrou leve redução das chances de retomada de cortes de juros pelo BC americano em junho, que se mantém ainda acima de 50%, após o anúncio da decisão da Suprema Corte desfavorável ao tarifaço de Trump. As apostas para a redução total até o fim do ano se dividem, grosso modo, entre 50 pontos e 75 pontos-base.

    "Com a decisão da Suprema Corte americana, o dólar deve se depreciar em um primeiro momento. O real deve se apreciar, com a taxa de câmbio próxima de R$ 5,00 ainda neste semestre", afirma o diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, ressaltando que a derrubada das tarifas piora a situação fiscal americana.



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