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  • Exportações de carne disparam, mas dependência da China preocupa


    As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram um novo recorde em 2025, confirmando a força do setor no comércio internacional. O volume embarcado foi o maior da história, impulsionado principalmente pela demanda externa aquecida.

    Entre os destinos, a China voltou a se destacar como o principal comprador da carne brasileira. Esse protagonismo, no entanto, traz desafios adicionais para a cadeia produtiva no início de 2026.

    Dependência do mercado chinês acende alerta

    De acordo com pesquisadores do Cepea, a forte concentração das vendas no mercado chinês aumenta a pressão sobre o setor pecuário nacional. Isso ocorre em um momento em que a produção brasileira opera em níveis elevados, exigindo planejamento cuidadoso para evitar gargalos.

    Além disso, a China passou a adotar medidas de proteção comercial, conhecidas como salvaguardas, que incluem tarifas e limites de volume para produtos importados, como a carne bovina.

    Números mostram peso da China nas exportações

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, em 2025, o Brasil exportou 1,648 milhão de toneladas de carne bovina para a China. Esse volume representou um crescimento de 24,6% em relação a 2024 e respondeu por 48% de toda a carne bovina enviada pelo país ao exterior.

    Os números reforçam a importância do mercado chinês, mas também evidenciam o risco de dependência excessiva de um único comprador.

    Cotas e tarifas mudam o cenário para 2026

    Com a aplicação das salvaguardas, o Brasil terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas para exportar à China em 2026. O volume que ultrapassar esse limite será taxado em 55%, elevando significativamente o custo do produto.

    Se o ritmo de exportações observado em 2025 for mantido, essa cota pode ser atingida rapidamente. Considerando os dados do ano passado, o limite seria alcançado entre agosto e setembro de 2026.

    Ritmo acelerado pode antecipar limite

    Pesquisadores do Cepea destacam que, nos últimos quatro meses de 2025, a média mensal de embarques para a China foi de 175 mil toneladas. Caso esse ritmo se repita, a cota pode ser atingida ainda mais cedo, entre junho e julho de 2026.

    Esse cenário reforça a necessidade de o setor buscar novos mercados ou estimular o consumo interno para absorver a produção.

    Preços sobem e atingem níveis históricos

    Em relação aos preços, a carne bovina brasileira exportada em 2025 apresentou valorização expressiva. A média geral ficou em US$ 5,15 por quilo, alta de 15,42% em comparação a 2024, segundo a Secex.

    A China, especificamente, pagou em média US$ 5,29/kg pela carne brasileira, valor 17,24% superior ao do ano anterior. Esse foi o segundo melhor resultado da série histórica, atrás apenas de 2022.

    Tarifa pode levar preços a patamar inédito

    Caso as exportações brasileiras ultrapassem a cota em 2026, a aplicação da tarifa adicional de 55% pode elevar o preço médio da carne para cerca de US$ 8,2 por quilo, tomando como base os valores de 2025.

    Esse patamar nunca foi pago pelos compradores chineses e supera, inclusive, os preços praticados por mercados europeus, o que pode impactar a competitividade do produto brasileiro.

    Fonte: capitalist



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